Bem defronte
da Escola Normal,
o jovem casal
deliciava-se com picolés
de uva, morango e de abacaxi.
Ela, sorridente,
morena, cabelos pretos,
dançando pelas espáduas!
Um protótipo de beleza!
Dezessete anos!
Flor de maracujá,
borboleta,
libélula,
pedra preciosa!
Ele, dezesseis anos,
penugem de barba
pelo rosto,
cabelos claros
olhos azuis.
-“Vamos ao jardim
da Catedral?”
O namorado concordou.
Nos cabelos da namorada
ele colocou
uma flor de primavera.
Sentaram-se num banco
de granito.
Na hora,
perpassou sobre eles
um encandecimento
de paixão.
Pelo ar, vibrou
um prelúdio nupcial,
transformando o jardim
em Jardim do Paraíso.
Os sinos da Catedral
repicavam!
Os sabiás alternavam
as notas musicais;
os sanhaços assanhavam-se
em idílio;
os beija-flores,
nos ipês amarelos,
lá de cima, espiavam
os namorados.
As abelhas aprimoravam
seus zumbidos de vento!
Esvoaçavam sobre os namorados,
arrebatadas por desejos
de “polinizarem”
de “fecundarem”
as flores do flamboyant,
das primaveras,
dos ipês.
Os namorados continuavam
a trocar,
minutos somados a minutos,
centenas e centenas
de beijos!
Beijos rápidos,
beijos demorados!
Todos com sabor de
uva,
morango
e abacaxi!...
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