Às três horas da manhã
ele entreabriu a veneziana
de seu quarto,
e, extasiado com o firmamento,
pensou:
- “Em minha vida,
nunca houve
uma estrela sequer”.
Lembrou-se do hospital,
das noites sem respirar,
dos revezes,
das derrotas
quando esperava vencer;
Lembrou-se da canoa
levada pela correnteza
e ele, sem remo, perto da cascata;
Lembrou-se de que pediu
devotamente uma graça
diante do altar;
Pediu que o Senhor
lhe mandasse
um fio, como o de Ariadne
a Teseu,
para que pudesse encontrar
uma porta de saída
do labirinto
que o aprisionava
mais e mais.
Depois de muito tempo,
houve certa manhã
em que ele voltou
a ajoelhar-se diante do altar.
Subitamente, percebeu uma luz
projetar-se em sua direção,
Luz que o iluminou,
Luz que desfez suas desesperanças,
Luz que o fez compreender
que o labirinto que o encarcerava
se abrira,
para que ele pudesse livrar-se,
definitivamente.
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