segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Fragmentos

Fez um poema,
em forma de charada.
Perdeu-se nas entrelinhas.
Perdeu sua bem amada!
*  *  *
Fiquemos em silêncio.
Ouçamos somente os grilos.
Em noite de verão,
cricrilam um hino ao amor.
*  *  *
Olho os meninos no campo.
Bola vai, bola vem.
Correm atrás da ilusão
que é levada pelo vento.
*  *  *
Deixe-me fechar o livro.
Envolvi-me tanto em sua história,
que retornou em mim
o meu antigo pranto.
*  *  *
Naquela tarde de agosto,
o Sol , ao pôr-se,
ficou vermelho,
ao perceber que a Lua,
“cheia” de si,
iria entrar em idílio
com as florestas, com as cascatas,
com a areia das praias,
com o rio Amazonas
e com o monumento
ao Cristo Redentor!
*  *  *
O fio de água
correu, correu do precipício
e foi morrer no mar!
*  *  *
Correu pelo bosque,
à caça de borboletas.
Em voo rápido,
voaram para longe.
Ele parou e sorriu, com desgosto.
Seu amor também
tinha esvoaçado!
*  *  *
A Filosofia trouxe-lhe
muitos conhecimentos da alma.
Não lhe trouxe, porém,
o segredo maior:
- Em que cofre de sete chaves
está o papiro
com a fórmula da vida?
*  *  *
Duas rolinhas
arrulhavam pelo fio de telefone.
- Vamos recomeçar
nosso “romance”?
- Sim! Quando? Por onde?
*  *  *
O espermatozóide,
muito preocupado,
falou para o óvulo:
- “Não tarde,
para o nosso encontro!”.

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