segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Aeromoça

No aeroporto, o professor aposentado
observa os passageiros que chegam
e se dirigem à fila dos guichês.

Passa pelo bar,
onde toma um cafezinho
com pão de queijo.
No saguão o alto-falante, 
insistente, chama os retardatários.

O vai-vem ensurdecedor das pessoas
mistura-se com reclamações, 
protestos, olhos atentos
no painel eletrônico, olhos que observam
as aeromoças, prontas para a viagem.
Maria Júlia está entre elas, 
com seu sorriso, 
sua meiguice, 
uma fita enlaça
seus cabelos presos.

Para o professor, 
ver Maria Júlia 
é o instante supremo!
Envolto em todo esse tumulto, 
o professor, contente, 
no aeroporto.

II

Sempre, sempre,
há voos
para Maria Júlia, 
em seu assento,
aguarda a partida.
Parte o voo de Maria Júlia.
Já vai longe, 
já vai longe, 
envolto em nuvens, 
leva em seu bojo
centenas de pessoas.

Leva brasileiros, ingleses, 
franceses, italianos.
Mas aonde vai Maria Júlia?
Quando voltará?
Que destino será o seu?
Lisboa, Londres, Paris, Roma?
Desvanece a possibilidade 
de ver novamente Maria Júlia.

Em certo momento, 
cessa no aeroporto
o imenso vozerio.
Cessa o alto-falante, 
não há passageiros, 
não há filas nos guichês, 
os relógios pararam, 
o dia transformou-se em noite.
Um peso imenso sufoca o professor.
Ele procura alguém, 
procura sem cessar.
Seus olhos míopes procuram.
Sob que ceus estará Maria Júlia?
O professor, sozinho,
 no aeroporto.
O professor
AEROMORTO!

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