- Tome este chá de hortelã!
Tome este chá!
- Não, não quero!
- Abra os olhos!
Não, semicerrados, não!
Vamos, levante-se!
- Não posso!
- Você pode,
você é capaz
de levantar-se!
Tudo, tudo passou!
- E as dunas?
Nunca pude transpor as dunas.
- O vento as desfez,
o vento, foram-se
com o vento!
- E as farpas
que me deixaram cicatrizes,
que me prostraram?
As farpas estão vivas!
- Não há mais farpas,
eu as recolhi,
uma a uma!
- E as cerejeiras?
- As cerejeiras floriram,
nesta madrugada.
Vamos, tome o chá de hortelã!
É bom e acalma!
Vamos!
A porta entreabriu-se
e, passo a passo,
começaram a caminhar.
- Sinta o perfume das
cerejeiras!
Esse perfume diluirá
suas mágoas,
as mágoas
que ainda existem!
De manhã,
não olhe para trás,
olhe só para o horizonte,
firmemente,
antes que o sol desponte!
João Alberto Pires de Campos
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