Majestosa figueira,
plantada atrás,
da tulha de café,
na fazenda Boa Esperança,
Boa Esperança de recordações,
de lembranças que se avivam,
a todo instante.
Majestosa figueira,
símbolo de majestade;
de todas as árvores
a mais imponente.
Foste plantada por meu avô,
José Inocêncio Moreira,
patriarca da família.
Assim como teus galhos
se estenderam
para todas as direções
numa imensa pujança,
assim foram as horas felizes
dos que viveram
na fazenda Boa Esperança.
Teus galhos, figueira amiga,
figueira dos joões-de-barro,
dos bens-te-vis,
dos sanhaços,
arrojaram-se para o céu
e até hoje
dão amparo
aos ninhos das aves.
Figueira amiga,
teus galhos se estenderam,
dia após dia;
tuas raízes foram buscar
o distante leito do rio.
Teu crescimento,
lento mas constante,
foi o mesmo
de todos aqueles
que viveram
sob sua sombra
aconchegante.
Primeiro, tu viste
os descendentes do patriarca,
José Inocêncio Moreira
e de Virgínia Aurora Moreira,
aurora de onze filhos:
Celina, Jarbas
Eutímia, Paulo, José (Zezé),
João (Didi), Ademar,
Leônidas (Lota), Antonio (Tonho), Flávio e Anna (Nicota).
Na Fazenda, certamente,
era uma festa
com as onze crianças
saudando o amanhecer,
com seus risos,
e com suas brincadeiras
agitadas.
Os dias dessas crianças
era como o sino,
alegre, festivo,
tangido de madrugada,
chamando os colonos,
para um novo dia.
Tu viste os terreirões de pixe,
abarrotados de café,
colhidos na lavoura,
e transportados para
o beneficiamento final.
Tu viste a família do patriarca
José Inocêncio Moreira
e Virgínia Aurora Moreira,
durante trinta anos.
Tu viste
os sucessores de meu avô,
José Pires de Campos
e Celina Moreira Pires de Campos,
que assumiram
a administração da fazenda
por mais trinta anos.
A vida, aos galopes,
trouxe a eles,
Os filhos: Rolando, Ruth, René,
Anna, João Alberto e Luiz Lázaro.
Como o arco-íris
que surge no céu,
chegaram nossos dezesseis filhos
chegaram nossos vinte e nove netos
correndo pelas casas,
por todos os cantos,
remexendo em tudo,
rindo, chorando, brincando,
esperando a delícia
do copo de leite espumado
tirado na hora,
num indizível encanto.
Figueira amiga,
nas horas de vento,
imperceptivelmente,
telegrafaste mensagens
do sol e da lua
ao patriarca Moreira
ao seu genro José Pires de Campos
e a todos da família.
O sol transmitiu a eles
o calor, o fervor da luta;
a lua, mais poética,
pediu a todos
que a observassem bem,
pois ela mostra
somente uma “face”
para a Terra.
É para que todos eles
também sempre mostrem,
pela vida inteira,
a mesma “face”:
a face da integridade,
a face da retidão,
a face do caráter
bem formado,
a face da sabedoria,
a face da dignidade,
a face da fé em Deus.
Figueira amiga,
minha voz
está sumindo,
sumindo!
Por que?!...
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